Por Luana Silva
Quando se trata do assunto sustentabilidade o que mais vemos por aí são pessoas vendendo ideias que elas mesmas não colocam em prática. Tenho o hábito de reparar essa questão em empresas que a todo o momento incentivam seus clientes a fazerem algo por um mundo melhor, mas as próprias não dão o exemplo. É aquela famosa história: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Diante dessa minha mania de observar encasquetei com o SWU, festival de música ocorrido na cidade de Paulínia – SP, nos últimos dias 12, 13 e 14 de novembro. A ideia do evento de conscientizar o maior número de pessoas em torno das causas sustentáveis, mostrando que através dos pequenos gestos e atitudes individuais é possível estabelecer um mundo melhor para se viver é bem legal, porém, eu não concordo muito com o slogan do festival.
Pra quem não sabe SWU são iniciais de “Starts With You” que traduzido significa “Começa com você”. Entramos, então, na parte que não concordo: antes de começar por cada um de nós, porque não começar por quem está propondo a ideia? De que forma? Se são por pequenas e simples atitudes que se começa a fazer um mundo melhor, o evento poderia ser realizado durante o dia e, quem sabe, ter todos os shows acústico. O que isso mudaria? Pense na quantidade de energia elétrica que é gasta para alimentar todas as luzes do palco e todos os instrumentos das 73 atrações contratadas para o festival essa segunda edição. Isso seria apenas um exemplo do que pode ser feito para o SWU se diferenciar de outros festivais não só pelo ideal que defende, mas, principalmente, por colocá-lo em prática
O portal Eco Desenvolvimento.org publicou meses antes da primeira edição do evento as medidas sustentáveis que o movimento SWU tomaria, entre elas:
- utilizar matérias recicláveis na cenografia;
- dicas e esclarecimentos sobre a sustentabilidade por especialistas
- incentivo a carona e utilização do transporte público
- coletores seletivos
Realmente são ações muito importantes e muito valiosas, e o SWU já ganha bastante por isso. Mas, sinceramente, acho e acredito que os maiores incentivos e conscientização estão na prática. E para o público é de extrema importância notar esse ato prático.
Como bem sabemos, esse foi o segundo ano do festival, o primeiro ocorreu em Itu – SP em outubro de 2011, e ainda está em tempo dos organizadores ajeitarem o que não está 100%. Alguns sites apontaram a chuva como maior vilão dessa segunda edição, pois atrapalhou e causou muita lama, uma vez que o evento ocorre em locais abertos. Li que Eduardo Fischer, criador do evento, já está pensando em soluções para resolver o problema das chuvas. Fica a dica dessa coluna para que ele pense também em executar atitudes sustentáveis, além de só defendê-las. Certamente isso tornaria o evento ainda mais grandioso. Não estou criticando, muito menos dizendo que o fato de os shows serem somente de dia e/ou acústico tornaria o festival mais ou menos sustentável. Estou apenas expondo uma observação e dizendo que o SWU pode vir a ser mais do mesmo no quesito sustentabilidade.



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